segunda-feira, 27 de agosto de 2007

" Ex prefeito de Jacobina Leopoldo Passos fica 5 anos inelegivel !!!"

LEOPOLDO PASSOS: JUSTIÇA ENFIM FEITA!!!!
O Diário do Poder Judiciário do TJBA, Comarca de Jacobina-BA, confirmou em sua edição de hoje o que já era objeto de comentários nas ruas de nossa cidade: o ex-prefeito Leopoldo Passos (DEM), foi condenado a pagar multa no valor de R$ 8.320,00 e teve seus direitos políticos suspensos por 05 anos. A decisão judicial decorre de processo movido pelo Ministério Público local, que envolve uma transação comercial feita entre a prefeitura municipal e a Panela do Povo. É dado quase como certo que o ex-prefeito recorrerá a Instância superior, na tentativa de modificar a decisão, possibilitando assim sua possível candidatura a prefeito em 2008.Veja abaixo despacho judicial publicado no DO do TJBA, de 24/08/07, Comarca de Jacobina:CIVIL PUBLICA - 1080164-3/2006 Autor(s): Ministério Público Do Estado Da Bahia Reu(s): Leopoldo Moraes PassosAssim sendo, diante do exposto e fundamentando acima, julgo procedente a pretensão deduzida pelo Ministério Público, no que, declarando a invalidade da avença celebrada entre a Autarquia Panela do Povo e o Município de Jacobina, descrita nos autos, reconheço que o Requerido Leopoldo Moraes Passos, já qualificado, praticou o ato de improbidade administrativa aqui identificado, acomodado no art. 10, VIII, da Lei 8.429/92, condeno-o, em conseqüência, na forma especificada no art. 12, II, do mesmo diploma legal , ao pagamento de multa civil no valor do dano apurado – R$ 8.320,00 (oito mil, trezentos e vinte reais) –, suspendendo seus direitos políticos pelo prazo mínimo previsto, ou seja, cinco anos, proibindo-o de contratar com o Poder Público ou receber deste benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por meio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 5 (cinco) anos, condenando-o, ainda, ao pagamento das custas processuais, não cogitando a remuneração do Ministério Público a título de honorários advocatícios ante aos comandos insertos no art. 23, da Lei nº 8.906/94 e art. 128, § 5º, inciso II, alínea “a”, da CF , e à míngua do desconhecimento de fundo específico para o recolhimento, o que esvazia os efeitos da sucumbência no pormenor. Deixo de determinar o ressarcimento dos prejuízos causados ao erário, aqui descritos, porque o processo informa que a quantia apurada foi destinada a Autarquia Municipal Panela do Povo, pelo que, se houvesse condenação, no particular, o Requerido teria direito de pleitear o recebimento da importância percebida indevidamente pelo ente descentralizado, passando a ser credor da mesma Fazenda Pública que seria devedor, consubstanciando a figura da compensação. Deixo também de ordenar o afastamento do exercício de função pública, face ao encerramento do mandato no qual o Requerido praticou o ato ímprobo.Por fim, como não existe ordem de ressarcimento do prejuízo causado ao erário municipal, deixo de determinar a indisponibilidade dos bens do Requerido e o bloqueio de eventuais contas bancárias, conforme solicitado pelo Ministério Público.P. R. I.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

"José Serra: de volta a ditadura"



Tropa de Choque invade ocupação na USP, põe o terror e prende estudantes
As lideranças da Jornada de Lutas convocaram um ato de repúdio ao ocorrido para as 15h desta quarta-feira, no Largo São Francisco; Jornada continua com protestos e passeatas em todo o país

Num ato truculento, a Tropa de Choque da Policia Militar invadiu, por volta das 2h, a ocupação pacífica dos movimentos sociais na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, em São Paulo. Apesar de o movimento ter colocado publicamente a sua posição de permanecer simbolicamente no local por 24h, os cerca de 400 manifestantes que dormiam no pátio da Faculdade foram retirados "à força e de forma violenta", segundo relatou a diretora da UNE, Luana Bonone, que estava na ocupação.
O comando de organização da ocupação já havia negociado com a direção da Faculdade, por meio do vice-diretor , professor Nestor Duarte. Segundo a assessoria de imprensa da PM, a ordem de reintegração partiu de uma determinação do governo do Estado. No entanto, quem fez o pedido foi o diretor da faculdade, João Grandino Rodas.
Já de dentro do micro ônibus da polícia, Luana contou por telefone que a Tropa de Choque chegou de surpresa, sem avisar ou negociar com as lideranças da ocupação. "De forma agressiva, eles retiraram todos que estavam na Faculdade. Fomos revistados e obrigados a entrar no camburão". Ainda tentamos resistir, protestar, mas o Choque tinha um mandato de reintegração". Luana conta que depois, pouco a pouco, após serem "fichados", a PM começou a liberar os manifestantes.
O Vice-presidente da UNE, Tales Cassiano, também foi preso. Ele conta que a polícia chegou gritando, colocando pânico, e levou todo mundo para fora da Faculdade. "Na rua, ficamos sentados no chão gritando palavras de ordem, cercados de policias". Depois, ele foi levado ao 1º Distrito Policial, próximo à Praça da Sé, no centro da Cidade. "Lá, quem era estudantes foi liberado. Mas o pessoal de outros movimentos sociais teve dificuldades. Os policiais queriam saber quem eram, o que faziam, e levantar a ficha de cada um", diz. Segundo Tales, demoraram mais de 3 horas, desde a invasão, até o momento em que foi liberado, por volta das 6h50, quando conversou com a reportagem.
Estudantes são cercados Cerca de 30 estudantes que estavam dentro do Centro Acadêmico XI de Agosto foram encurralados pela tropa de Choque e resistiram à reintegração por cerca de 4 horas. A estudante de Ciências Sociais da USP, Flavia Duwe, contou à reportagem que quando eles perceberam a invasão tentaram sair, mas a policia apontou armas e disse que todo mundo ia ser preso.
O presidente da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes), que também estava dentro da sala, contou por telefone que o Choque em nenhum momento tentou negociar, "apenas ameaçava prisão". Não houve a invasão do local porque o Centro Acadêmico é uma propriedade particular, que pertence aos alunos.
A representante da Defensoria Pública no local, Anaí Arantes, defendia o direito dos manifestantes em permanecerem no Centro. Segundo ela, a polícia não pode invadir o espaço. O professor doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito Sérgio Salomão Shecaira também esteve no local e engrossou o discurso de Anaí, exigindo que o Centro não fosse invadido.
Os advogados do movimento e a imprensa foram proibidos de se aproximarem. Um cordão de isolamento mantinha-os a cerca de 40 metros de distância. Apenas por volta das 5h30 os próprios integrantes do Centro Acadêmico conseguiram negociar a saída pacífica, com garantia de que não seriam presos.
"Mais uma vez o governo Serra age com toda a sua truculência para reprimir os movimentos sociais. Essa invasão da tropa de Choque é a demonstração de como o governo gosta de negociar: usando da força bruta. Mas isso só fortaleceu nosso movimento, que já está preparando um ato para as 15h e temos ainda uma série de manifestações programadas para os próximos dias. A Jornada continua, agora mais com força total", convocou Augusto.
As lideranças da Jornada de Lutas convocaram um ato de repúdio ao ocorrido para às 15h, no Largo São Francisco. Haverá ainda passeatas em diversas capitais como atividade integrante da Jornada.
Nota pública Uma coordenação de imprensa da ocupação divulgou nota repudiando a ação da policia e reafirmando o caráter pacífico da manifestação. Leia abaixo:
Os integrantes de movimentos populares que ocuparam a Faculdade de Direito da USP na tarde desta terça feira vêm a público esclarecer os acontecimentos deste ato:
1) Esta ocupação faz parte de uma série de atos realizados através de uma ampla unidade de movimentos sociais em torno de um programa em defesa da Educação Pública em todo o país. Ocupações como esta ocorreram em diversos estados e universidades, como na UFMG, UFRJ e UFBA.
2) Esta era uma ocupação pacífica e simbólica, prevista para terminar às 17 horas da quarta feira, 22 de agosto, conforme negociado com a direção da Faculdade através do Professor Nestor Duarte, vice-diretor.
3) Por volta das duas horas da manhã, momento em que a maioria dos ocupantes já estava dormindo, a tropa de choque invadiu a Faculdade de Direito e realizou a desocupação, numa manifestação de truculência como não se via na Universidade de São Paulo desde a Ditadura Militar.
4) Policiais armados encaminharam os participantes detidos na Faculdade para a 1ª DP. Enquanto no Centro Acadêmico XI de Agosto alguns estudantes se preparavam para retornar à faculdade, a Polícia, sem mandado de reintegração de posse dirigido ao espaço do C.A., forçou, sem sucesso, a saída dos ocupantes inclusive com ameaças de utilização de armas de fogo.
5) Neste momento, a imprensa encontra-se contida pelo cordão de isolamento da PM, assim como os advogados chamados pelo movimento para acompanhar o caso.
6) Nós, estudantes resistentes no XI de Agosto, declaramos repúdio à ação da tropa de choque e condicionamos a nossa saída ao não fichamento de todos os participantes do ato e o acompanhamento da imprensa na delegacia e na sede do XI de Agosto.

terça-feira, 21 de agosto de 2007



SOCIEDADE CIVIL E PARLAMENTARES SE UNEM EM PROTESTO CONTRA ANGRA 3


Brasília (DF), Brasil — Na semana do aniversário dos ataques a Hiroshima e Nagasaki, ONGs e Frente Parlamentar Ambientalista promovem manifestação em repúdio à aventura nuclear.
Mais de 200 pessoas de diversas regiões do país reuniram-se nesta quarta-feira na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para protestar contra a construção da usina Angra 3 e o Programa Nuclear Brasileiro. O ato público, liderado pelas entidades SOS Mata Atlântica, Greenpeace e WWF-Brasil, contou com o apoio da Frente Parlamentar Ambientalista e das redes Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS) e Associação Brasileira de ONGs (Abong). Uma comissão de manifestantes foi recebida por parlamentares na rampa do Palácio do Planalto e protocolou uma carta em repúdio à retomada da aventura nuclear brasileira. Os manifestantes e o deputado Edson Duarte (PV-BA) entregaram essa carta também à Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.
As populações mais diretamente afetadas pela atividade nuclear no Brasil foram representadas pela Associação das Vítimas do Césio-137, de Goiânia/ GO, Sociedade Angrense de Proteção Ecológica - Sapê, de Angra dos Reis/RJ e Associação Movimento Paulo Jackson Ética, Justiça e Cidadania, afetados pela mina de urânio em Caetité / BA.
Os manifestantes se concentraram a partir das 9h em frente ao Ministério de Minas e Energia e às 11h seguiram em passeata até a Praça dos Três Poderes. Com palavras de ordem contra nuclear, pela paz e pelas energias renováveis, os ativistas também formaram um banner humano com a mensagem “nuclear não”.
“A energia nuclear é a alternativa mais cara. Podemos evitar o apagão de várias outras formas menos custosas para nossa sociedade”, avalia Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica. “Nossa produção de energia eólica, solar e de biomassa pode ser muito ampliada.”
A data da manifestação foi escolhida para lembrar o aniversário do ataque nuclear a cidades japonesas. Nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, as bombas “Little Boy” e “Fat Man” foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, resultando na morte de mais de 300 mil pessoas e na total destruição das duas cidades.
Em reunião do dia 25 de junho de 2007, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) recomendou a retomada das obras da usina de Angra 3. A decisão final sobre a expansão do parque atômico brasileiro está nas mãos do presidente Luís Inácio Lula da Silva. “O presidente Lula pode optar por investir bilhões de reais de recursos públicos na expansão do parque atômico ou estruturar uma matriz energética limpa e renovável que garanta a segurança energética de que o Brasil precisa para crescer”, declarou Guilherme Leonardi, da campanha de energia do Greenpeace. “Investir na geração nuclear é olhar para trás, é ir na contramão da história. O Brasil tem enorme potencial para liderar uma revolução na área das energias renováveis, o que falta hoje é vontade política para estabelecer efetivamente este mercado no país”, complementou. Criado durante a ditadura militar, o Programa Nuclear Brasileiro é ultrapassado, caro e arriscado. Do ponto de vista da geração de energia, a opção nuclear é a mais onerosa e exige fartos subsídios governamentais. Com os R$ 7,4 bilhões previstos para a usina nuclear, um parque de turbinas eólicas com o dobro da potência de Angra 3 (1.350 MW) poderia ser instalado em apenas dois anos, gerando 32 vezes mais empregos. Vale lembrar que o risco de acidentes é inerente à tecnologia nuclear e ainda não existe solução definitiva para o lixo radioativo, que permanece perigoso por centenas de milhares de anos. Para questionar a política do governo federal e mostrar que é possível conciliar desenvolvimento social e econômico com sustentabilidade energética, a sociedade civil, em parceria com universidades, desenvolveu cenários alternativos. A “Agenda Elétrica Sustentável”, da WWF/Unicamp, foi lançada em setembro de 2006 e o “Revolução Energética”, do Greenpeace/USP, em fevereiro de 2007.
Para as entidades, “a sociedade brasileira vive hoje um clima de insegurança e desconfiança devido a problemas como violência urbana, caos aéreo, corrupção. O Brasil não precisa da ameaça nuclear”.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

" Mentiras sobre o caso dos boxeadores cubanos"



O caso do repatriamento dos boxeadores cubanos deu muito o que falar na imprensa brasileira, e como sempre a Globo e Veja trataram de dizer mentiras sobre este caso, veja na integra a carta de repudio a essas mentiras, apresentada pelo secretariado nacional do PC do B ( Partido Comunista do Brasil)



Avalanche de mentiras
A mídia conservadora, incluindo comentaristas esportivos com visão neoliberal e mercantilista sobre a prática desportiva e representantes da direita na Câmara e no Senado estão fazendo ensurdecedora campanha em torno do episódio envolvendo os dois atletas cubanos que, tendo desertado da vitoriosa delegação vice-campeã dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, foram detidos por autoridades policiais brasileiras e em seguida repatriados para Cuba.

Produziu-se uma verdadeira avalanche de mentiras sobre o assunto, a mais grosseira das quais é a comparação com a entrega da militante comunista Olga Benário Prestes pelo governo autoritário da época às forças repressivas da Alemanha nazista.

Difunde-se que há algo “nebuloso” e “estranho”, “anormal” e “irregular” no procedimento das autoridades brasileiras. Nada justifica as insinuações ou acusações. As autoridades policiais brasileiras, subordinadas ao Ministério da Justiça, foram informadas pelos dois atletas que os mesmos desejavam retornar ao seu país. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Rio de Janeiro e o representante do Ministério Público nesse Estado deram testemunho público disso. Em entrevista a veículo da imprensa cubana, os atletas fizeram declarações nesse mesmo sentido. Em nenhum momento os atletas declararam-se refugiados políticos nem pediram asilo. Não cabia, pois, outra atitude a tomar senão repatriá-los.

As mentiras visam a instrumentalizar uma campanha política contra o governo Lula e estigmatizar as boas relações existentes entre o Brasil e Cuba.

O episódio está sendo explorado também para atacar, com posições de direita, obscurantistas e retrógradas, a sociedade socialista cubana, seu governo, suas instituições, sua ideologia e seu líder, o comandante Fidel Castro. Cuba está de pé, resiste e avança, entre outras razões porque seu povo está imbuído de idéias e valores progressistas São as idéias e os valores da solidariedade, da inteligência coletiva, do esforço nacional, da mobilização social, incompatíveis com a mentalidade pragmática, individualista, mercantilista e cosmopolita próprios da sociedade capitalista senil. O aliciamento de atletas , assim como o roubo de cérebros, são práticas condenáveis incompatíveis com o socialismo e a missão educativa do esporte.

O Partido Comunista do Brasil respalda os procedimentos adotados pelo Ministério da Justiça brasileiro ao repatriar os atletas cubanos e reitera a solidariedade com a Revolução cubana, que tem entre as suas grandes realizações a preparação de atletas de excelência nas mais variadas modalidades desportivas.

São Paulo, 13 de agosto de 2007. O Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil


segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"Eleita nova presidenta da UNE: Lúcia Stumpf"

Nesta sexta - feira dia 10 de agosto tomou posse a nova presidente da UNE ( União Nacional dos Estudantes) a gaúcha lúcia Stumpf, em seu discurso de posse a estudante de jornalismo promete radicalizar e fazer varias manifestações e invasões de reitorias, o site http://www.zedirceu.com.br/, fez uma entrevista exclusiva com a estudante, leia na integra essa entrevista aqui no pedroitalocs.blogsopt.com, " o blog da juventude consciente"


Pergunta - Qual vai ser a bandeira da atual diretoria para os próximos dois anos?


Lúcia - Nosso maior desafio é conseguir envolver o conjunto da rede do movimento estudantil nas lutas a pela transformação do Brasil, pela transformação da universidade brasileira. Ter uma gestão mais ousada, que faça mais manifestações, mais passeatas, mais mobilizações dos estudantes para conseguir transformar o Brasil e a universidade. A gente acha que a UNE está num patamar de organização, num momento de força grande, representada pela participação dos estudantes no 50º Conune (Congresso Nacional da UNE), que conseguiu mobilizar mais de 2/3 dos estudantes universitários do Brasil e, com isso a gente tem condições de ousar mais nesse próximo período, de radicalizar mais nas lutas e fazer mais passeatas pela transformação do Brasil e da universidade.


Pergunta - A UNE tem sido criticada por ser pouco crítica ao atual governo. Essa gestão vai ser mais combativa?


Lúcia - Não reconheço essa crítica, não concordo, mas acho que esta gestão tem, sim, mais disposição de construir as lutas necessárias, seja frente ao governo federal ou outros poderes para que a gente consiga obter as vitórias que dizem respeito, por exemplo, a garantia de um Plano Nacional de Assistência Estudantil, para os estudantes que fazem universidade pública. Isso exige, no mínimo, R$ 200 milhões a mais no orçamento do MEC para a construção de moradias, restaurantes universitários, bolsa auxílio transporte para estudantes carentes, e também reivindicar a criação de um conjunto de leis que regulamente o funcionamento das universidades privadas, que hoje mandam e desmandam conforme seu próprio interesse, aumentam as mensalidades, como bem entendem, não permitem a organização do movimento estudantil dentro das instituições. Então, a UNE vai bater forte para que se crie um conjunto de leis para regulamentar o funcionamento das universidades, daí radicalizar mais a nossa intervenção. Outra frente é em relação a política econômica do atual governo que, na nossa visão, é a principal culpada pela falta ou pela ausência de mais investimentos nas áreas sociais. A gente acredita que, com a manutenção dessa política de juros altos e superávit primário não vai ser possível fazer as transformações que a UNE defende na universidade brasileira


.Pergunta - E qual é a principal transformação que vocês defendem na universidade brasileira?


Lúcia - Primeiro é a regulamentação da universidade privada, que vai representar um grande avanço no sistema de ensino superior do Brasil, porque hoje 70% das matrículas estão concentradas no sistema privado. São 4,7 milhões de estudantes universitários e 70% deles em universidades privadas. Então, a gente acredita que existem instituições privadas que, hoje, não têm qualquer tipo de compromisso com o desenvolvimento brasileiro. Abrem cursos de direito, de administração, porque são baratos e não exigem investimentos em laboratórios, exigem pouca infra-estrutura das universidades. E há ausência de profissionais formados em áreas estratégicas para o país, como, por exemplo, agronomia e outros setores que ajudem a desenvolver novas potencialidades que o país tem. Não existe uma regulamentação estabelecendo que o curso que vai ser aberto em determinada cidade tem que corresponder as demandas daquela cidade. Vai ser um grande avanço para a transformação do ensino brasileiro e mais investimentos na universidade pública, para que ela possa cumprir seu papel, de desenvolver pesquisas, conhecimento que ajude a transformar o Brasil num país mais desenvolvido.


Pergunta - Como foi a participação da UNE no movimento da USP? Como a entidade recebeu o decreto do governador José Serra, posteriormente revogado, que acabava com a autonomia das universidades?


Lúcia - A ocupação da reitoria da USP foi uma resposta a altura do movimento estudantil daquela entidade aos ataques que o governador José Serra implementou contra as universidades estaduais paulistas. Aquele decreto, de fato, feria a autonomia das universidades e o movimento estudantil reagiu a altura, fazendo o que achou necessário, e o governador teve que rever o decreto. Foi uma atitude muito justa e legítima do movimento estudantil.


Pergunta - Ainda na questão da USP, o movimento estudantil, de acordo com as notícias publicadas à época, depredou a reitoria e teria levado micros da universidade. Qual a versão de vocês, como isso repercute na imagem do movimento estudantil?


Lúcia - Eu acredito que a decisão política de ocupar a reitoria para exigir a revisão do decreto foi uma postura vitoriosa e que merece ser reconhecida por isso. Já os problemas que aconteceram, de depredação do patrimônio, enfim, eu acredito que são questões menores, de indivíduos que estavam ali e que, talvez, não estivessem comprometidos com essa luta maior, coletiva, mas que se aproveitaram daquele espaço, daquele momento para fazer ações individuais, às quais, acredito, não representam o conjunto do movimento estudantil que estava presente naquela ocupação. Apoiamos o conjunto das reivindicações, a forma como a luta foi desenvolvida, mas essas ações individuais, localizadas, a UNE repudia, e entende que não representam o conjunto dos interesses dos estudantes que estavam fazendo aquele protesto legítimo.


Pergunta - Qual a avaliação da UNE do PAC educação?


Lúcia - O PDE é uma iniciativa positiva, porque entende que, para discutir a universidade, precisa discutir desde o ensino médio e fundamental, a valorização dos professores como ali está proposto, a questão de mais investimentos no ensino médio e fundamental através da aprovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). A universidade brasileira só vai poder ter sua qualidade plenamente desenvolvida no momento em que a gente conseguir rever a aplicação do dinheiro público no ensino médio e fundamental. No que diz respeito a universidade, o PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação) tem algumas iniciativas interessantes, que estão sendo ainda avaliadas pelo movimento estudantil. Mas o que a gente tem convicção é que o PDE vai ser um mero objeto de discurso do governo, caso não seja alterada a política econômica implementada até hoje pelo governo Lula, porque várias das ações ali propostas hoje não têm recursos específicos no governo para serem implementadas. O PDE não prevê um real a mais para o sistema educacional brasileiro, além do que já estava sendo proposto. O Fundeb, colocado dentro do PDE, já estava tramitando no Congresso. O que falta no PDE é a garantia de mais investimentos na educação pública brasileira e isso a gente acha que só vai ser alcançado com a mudança da política econômica implementada pelo governo Lula.


Pergunta - Que mudanças vocês pregam na política econômica?


Lúcia - A gente quer, por exemplo, o fim dos juros altos. O Brasil é um país com os juros mais altos de todo mundo, e juros altos impedem o crescimento da economia nacional e valorizam quem investe no capital especulativo financeiro, em detrimento dos que investem no capital que desenvolve o país, capaz de transformar realidade do nosso Brasil, gerando mais empregos, por exemplo. A política, hoje, prevê um superávit primário, que é uma reserva que deveria estar sendo utilizada para mais investimentos nas áreas sociais , ao invés de estar sendo reservada para pagamento dos juros.


Pergunta - Supondo que não haja mudança na política econômica, na prática, de que forma vocês pretendem obter essas conquistas? O movimento estudantil vai voltar a ocupar as ruas? Qual o caminho que será seguido?


Lúcia - O caminho que a UNE conhece, de lutas, de reivindicação, é a mobilização do conjunto de estudantes e da universidade brasileira. Essa sempre foi a nossa forma de diálogo com os governos e com a sociedade, e é isso que a gente vai fazer, cada vez com mais constância nessa gestão. Vamos, já no final de agosto (semana de 20 a 24), fazer uma jornada nacional de lutas pela educação, que vai exigir o Plano Nacional de Assistência Estudantil e vai exigir a regulamentação das universidades privadas, em que a gente vai parar todas as capitais do Brasil com uma grande passeata. Vamos ocupar reitorias, ocupar universidades brasileiras, exigindo do governo esse plano e uma postura mais firme frente aos tubarões do ensino das universidades privadas. E é dessa forma que a gente vai agir ao longo dessa gestão (...). As manifestações vão acontecer com mais freqüência, até que agente alcance as vitórias que o movimento estudantil reivindica. E, antes da semana de paralisação, vamos fazer, dia 10 no Rio uma passeata, parte das comemorações dos 70 anos da UNE, e, dia 11, em São Paulo, queremos reunir os movimentos populares e sindicatos no evento de comemoração do aniversário da UNE.


Pergunta - Qual a avaliação do Prouni?


Lúcia - A UNE reivindica que o programa tenha suas vagas dobradas. Pela primeira vez, com o Prouni, pessoas de baixa renda, que não conseguiriam ingressar na universidade pública porque não passam pelo funil do vestibular, e que não conseguem ingressar na universidade privada por falta de condições financeiras, hoje estão na universidade graças ao Prouni. Então, primeiro, a luta é para dobrar o número de estudantes atendidos pelo programa. Ao mesmo tempo, a gente faz algumas críticas ao programa, como por exemplo, a escolha e a avaliação das universidades que poderão conceder essas bolsas. A UNE exige que essas bolsas sejam oferecidas por universidades que tenham sua qualidade comprovada, que não é o que acontece hoje, diversas universidades particulares que não têm seu desempenho aprovado pelo Enad (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) podem oferecer bolsas pro Prouni, a gente quer que isso acabe e que só as universidades que passem na avaliação do ensino superior, com boas notas, possam oferecer esse programa de bolsas do governo.

Pergunta - Nas décadas de 70 e 80, havia uma aliança do movimento popular com as universidades, que favorecia a ambos. Com a globalização e as universidades muito focadas em capacitação profissional, pesquisa corporativa, a impressão que se tem é que isso se rompeu. Ao mesmo tempo a democratização da gestão dentro das universidades avançou pouco. Você concorda com essa análise? A UNE vai buscar uma reaproximação com o movimento popular?

Lúcia - Sem dúvida. A gente tem garantido, cada vez mais, um diálogo forte e permanente com um conjunto de movimentos sociais brasileiros. Eu mesma, quando era diretora da UNE na gestão anterior, era responsável por esse diálogo com o movimento sindical, com movimentos populares, e sendo eleita presidente, vou ter a responsabilidade de aprofundar isso cada vez mais, acreditando que os objetivos do conjunto dos movimentos sociais brasileiros é um só, que é a construção de um Brasil com melhor distribuição de renda, um Brasil mais justo para o conjunto da sociedade, soberano e desenvolvido frente ao conjunto de nações do mundo. Se apoiar nesse conjunto de movimentos sociais é um dos objetivos dessa gestão, na perspectiva de construir um Brasil diferente para a nossa geração e para as gerações futuras.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

A VIADAGEM ENCAMPANDO A POBREFOBIA
por Paulo Nascimento
“‘A calça é Calvin Klein, a camisa é Calvin Klein e a cueca também é Calvin Klein’, descreve-se o geofísico Leandro, 24, sobrenome não revelado, que veio de Brasília especialmente para participar hoje da 11ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Louco por moda e por grifes, ele aproveita a viagem para mergulhar nas compras nos Jardins.”
“‘Os gays malham a semana inteira, juntam dinheiro para vir à balada e idealizam esse dia como se fosse o último da vida deles’, diz o produtor Beto Matte, 35, por volta das 5 h. De acordo com Matte, ninguém quer realmente nada com ninguém, apenas exibir o corpo esculpido, caçar quem tem droga e, aí sim, beijar vários.”
(“Parada Gay aquece mercado de luxo”,Daniel Bergamasco, Folha de S. Paulo, caderno Cotidiano, 10 de junho de 2007)
“‘Só uso tênis Puma, tenho sete pares’, contabiliza o publicitário Thiago Guez, 23, 1,95 m, 95 kg. São 3h25 quando ele entra na boate vestindo um casaco debruado de pele ‘comprado em Paris’, jeans Diesel e uma camisa Zara. Usa perfume Jean Paul Gaultier, mas seu preferido é o 212, de Carolina Herrera.”“O engenheiro Augusto, 35, acredita que ‘os gays não gostam de bichas’. ‘Eles ficam com vários aqui na boate porque está tudo escuro, o som é muito alto e não é preciso ouvir a voz (fina) de ninguém. No dia-a-dia, sem nada na cabeça, a música é outra.’”
(“Teste comparativo avalia pagode lésbico e frenesi gay”,Paulo Sampaio, Folha de S. Paulo, caderno Cotidiano, 10 de junho de 2007)“‘Nunca vi tanta gente feia!’, diz o estudante bombado, descamisado e depilado Victor Prado, 19, saindo da Parada Gay. A frase foi ouvida muitas vezes pela reportagem, em diferentes grupos do evento. A maioria dos queixosos é representante da ala masculina. De acordo com os correligionários de Prado, desde a primeira edição, onze anos atrás, a Parada do Orgulho GLTB se popularizou demais e ‘hoje é freqüentada por pessoas que nem são gays’ (...) ‘Isso aqui está irreconhecível, olha só quanto mano’, aponta para um grupo de jovens de bermudão e skates o administrador Ricardo Sá, 29. Apesar de manter o fundamento militante, o movimento agora recebe a adesão de pessoas que, para Sá e os cinco amigos que o acompanham, o descaracterizaram. ‘Acontece que isso aqui é um evento aberto, não precisa pagar nada. Então, não dá para controlar a freqüência’, diz o professor Emanuel Via. O preconceito parece contagioso. Esquecido da essência suprapartidária da parada, o fotógrafo carioca Mauro Scur, 32, diz: ‘Como vocês dizem aqui em SP, só tem periferia. Lá no Rio, a gente diria suburbano’.”(Paulo Sampaio, “‘Nunca vi tanta gente feia’, dizem habitués”, Folha de S. Paulo, caderno Cotidiano, 11 de junho de 2007)
São muitos os ensaios que trataram de analisar a formação da civilização brasileira e que se consagraram na história do pensamento nacional por sua excelência ao tratarem das peculiaridades que caracterizam o povo brasileiro. De Sérgio Buarque a Roberto DaMatta, de Euclides da Cunha a Antônio Cândido, de Caio Prado a Alfredo Bosi, nenhum passa batido pela questão da heterogeneidade presente em nossa formação. De tudo: das relações humanas, da estrutura social, familiar, dos ritos, da visão de mundo. Estamos no país em que o católico conversa com pai-de-santo, o milico transmite informação para o preso político, a mulher que criminaliza o aborto é a mesma que já passou por uma fazedora de anjos, o diretor de campanha do PSDB vota no Lula, e por aí vai. Só mesmo num país cuja desigualdade social é atroz e reverbera para todos os lados essas escancaradas contradições podem ser mantidas; pior, não raro atingem dimensões catastróficas (o nepotismo, o comercial de cerveja no canal do bispo, o banco público que tem lucro gordo que não volta para o público...) e são minimizadas, passam quase que despercebidas, para serem, enfim, aceitas.
Eu me pergunto: como um evento que, a princípio, tem como razão de ser a defesa da abolição da desigualdade jurídica, do preconceito social, da violência civil dos quais é vítima categórica um nicho social tradicionalmente depreciado na história de nosso país é capaz de atrair gente que vê problema em estar ao lado de alguém que, ou por escolha ou por uma simples questão de impossibilidade (a segunda é, claro, pior, mas até aí, dane-se), não se aparamenta com roupas, calçados, acessórios e artefatos que aumentam cada vez mais os lucros dos donos de butique? Pois aqui do lado de baixo do equador, vítima de preconceito é o primeiro a externar os seus, assim, dessa forma assaz inconseqüente como se lê na epígrafe de excertos do jornal. Como se hierarquizar pessoas, sentimentos e valores a partir de um viés estritamente consumista, com julgamentos precipitados, fosse “natural”. Isso ocorre simplesmente porque a balela de “guerra ao preconceito” não passa disso: balela. A Parada Gay de São Paulo é um evento nazista, segregacionista e vulgar, cria de uma sociedade consumista fetichista e mesquinha. Basta ir lá e conferir: homens infantilizados, sem a menor percepção do ridículo que é ser um moleque de 50 anos, um drogado escapista ou ficar desfilando com o sexo pra fora, para retificar sua existência estúpida e sua massa muscular exagerada, inversamente proporcional à sua massa encefálica. (...)
Paulo Nascimento, 21, é viado, assim como é alto, negro, de cabelos crespos, dedos finos e olhos castanhos. É bem resolvido com todas essas características supracitadas que tem, mas gosta mesmo é de ser lembrado por sua vontade de viver, sua perspicácia, a dedicação que investe nos estudos e sua habilidade como mestre-cuca de república estudantil. Escreveu este texto como simples exercício de desabafo, pois sabe que não vai mudar o mundo – mas tem ciência que ser crítico em relação ao mesmo é sempre melhor