
Parte de uma campanha nacional contra a homofobia, o cineclube é um marco na ilha. Depois de amanhã, Cuba comemora - pela primeira vez com chancela oficial - o dia internacional contra a homofobia. A data marca a retirada da homossexualidade da categoria de distúrbios psiquiátricos da OMS (Organização Mundial de Saúde), em 1990.
A campanha é coordenada pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), presidido por Mariela Castro Espín, filha do dirigente cubano Raúl Castro e da guerrilheira e ativista feminista Vilma Espín.
Campanha nacional
Além do cineclube, a campanha vai abrir os meios de comunicação para mostrar o "apoio político" do governo ao esforço da luta contra a homofobia, informou a sexóloga Mariela Castro.
"Vimos que chegou o momento de fazer algo muito mais forte" que antes, completou Mariela, ao anunciar a celebração da Jornada Mundial contra a Homofobia no próximo sábado (17).
O apoio à celebração – que inclui o Partido Comunista, o setor juvenil, ministérios, autoridades, provinciais e até a Polícia Nacional – representa um forte sinal de retificação da política de discriminação sexual imperante na ilha até duas décadas atrás.
A aceitação da diversidade sexual, impulsionada entre outros personagens por Vilma Espín (morta em junho de 2007), à frente da Federação de Mulheres Cubanas, ganhou terreno na ilha nos últimos anos, mas persistem preconceitos homofóbicos arraigados na sociedade, sobre os quais não havia até agora manifestações explícitas oficiais de alto nível.
A jornada será a primeira mobilização desse tipo com alcance e difusão previstos. Agora "temos um diálogo mais estreito com o partido (comunista) e temos conquistado melhores alianças entre as instituições", disse Mariela.
Ela acrescentou que, apesar da campanha educativa permanente do Cenesex, "pelo que se percebe no cotidiano, sabemos que é bastante" o impacto social da homofobia. As principais atividades da jornada se realizam no Pavilhão Cuba, um recinto para exposições localizado no bairro de La Rampa, a região mais concorrida do distrito comercial de Vedado.
Debates nos meios
A rádio e a televisão progamarão debates e séries dramatizadas sobre o tema. Na televisão, vai estrear em horário nobre Brokeback Mountain, filme do realizador taiwanês Ang Lee que, em 2006, ganhou o prêmio Oscar em três categorias. A película narra a história de um casal homossexual nos rincões rurais dos Estados Unidos.
A imprensa, que aborda a diversidade sexual só de maneira marginal, "vai começar a trabalhar abertamente" com o tema, disse Mariela.
A jornada de 17 de maio lembra a data de 1990, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) eliminou a homossexualidade e a bissexualidade de sua lista de doenças mentais e também se celebrará em algumas localidades da província.
O Centro Nacional pela Prevenção de HIV vai participar da mobilização. Até dezembro, havia 9.304 casos de infectados com o vírus no país, dos quais 80% eram homens, e, dentro desse universo, 84% homens que faziam sexo com outros homens, informou a médica Rosaida Ochoa, diretora da instituição.
FONTE: www.vermelho.org.br



